A Prefeitura de Dourados deu um passo concreto no processo de desburocratização administrativa. Nesta quinta-feira (23), a Secretaria Municipal de Fazenda e a Controladoria-Geral do Município reuniram servidores de todas as Secretarias Municipais para apresentar a Instrução Normativa Conjunta nº 01/2026, que regulamenta o uso do Sistema Eletrônico de Tramitação de Pagamentos no município.
A medida encerra uma rotina que custava caro ao erário. Até 2025, todos os processos de pagamento tramitavam em papel. Impressões, capas de processo, caixas de arquivo morto e servidores dedicados à digitalização manual compunham uma despesa mensal de R$ 15.810,19, ou quase R$ 200 mil por ano. Com a migração para o sistema digital, o custo mensal cai para R$ 6.500,00.
Além de dinamizar os serviços, a medida ainda gera economia considerável aos cofres municipais. “A gente gastava em torno de R$ 200 mil por ano só para mover papel de uma sala para outra”, explica Suelen Nunes Venâncio, secretária Municipal de Fazenda. “Com o sistema digital, esse dinheiro fica no município e o servidor passa a trabalhar no que realmente importa”, prossegue. “É eficiência que aparece no orçamento”, afirma a secretária.
Ela enfatiza que os ganhos vão além da conta financeira. A digitalização elimina o crescimento do arquivo físico, encerra a necessidade de capas de processo e extingue o trabalho manual de digitalização. “Servidores antes alocados nessas funções ficam disponíveis para atividades de maior valor e reforço na execução de tarefas estratégicas da secretaria”, ressalta Suelen Nunes.
O modelo físico também gerava retrabalho constante. “Processos retornavam por documentação incompleta, certidões vencidas ou erros de organização”, lembra. “Cada devolução significava atraso no pagamento e sobrecarga no Departamento Financeiro”, enfatiza a secretária. “Com o fluxo digital, a tramitação passa a ser rastreável, com controle ponta a ponta e prazos mais previsíveis”, conclui Suelen Nunes.
A secretária municipal de Fazenda ressalta que ofícios e Comunicações Internas também migram para o meio eletrônico. “A meta da Semfaz é atingir 100% das operações sem papel e tornar-se referência de gestão digital no município”, antecipa Suelen Nunes. “Essa é uma determinação do prefeito Marçal Filho, não apenas para gerar economia aos cofres públicos, mas, sobretudo, para melhorar a qualidade dos serviços que são prestados à população”, completa.

Secretária Suelen Nunes Venâncio conversa com servidores durante o treinamento para digitalização
GESTÃO MODERNIZADA
A reunião de desta quinta-feira não foi o primeiro movimento da Secretaria Municipal de Fazenda em direção ao digital. Ainda em dezembro de 2025, a Semfaz lançou a “Doura”, assistente virtual com inteligência artificial acessível pelo WhatsApp, para facilitar a emissão de guias do IPTU. A iniciativa acompanhou a extinção do carnê impresso a partir de 2026, medida que, segundo a secretária Suelen Nunes Venâncio, gerou economia de cerca de R$ 1 milhão por ano. “Somente nos últimos quatro anos foram gastos cerca de R$ 4 milhões do contribuinte com impressão e postagem, dinheiro que poderia ter sido investido na saúde e na educação”, destacou.
O Sistema Eletrônico de Tramitação de Pagamentos apresentado hoje segue essa mesma lógica: menos gasto operacional, mais eficiência e serviço público que funciona sem depender de papel.
A iniciativa se insere em um movimento mais amplo. A Lei Federal nº 14.129/2021, a Lei de Governo Digital, consolidou a digitalização como diretriz da administração pública brasileira. Em março de 2026, mais de 2.650 municípios já integravam a Rede GOV.BR, com presença em todos os estados do país.
Experiências estaduais confirmam o retorno financeiro da mudança. Santa Catarina registrou economia comprovada de cerca de R$ 29 milhões com a digitalização de seus fluxos administrativos. O Ceará projeta R$ 300 milhões de economia em oito anos com seu Projeto Papel Zero. Em Dourados, os números já estão postos. Processo completo, pagamento no prazo, sem papel e sem fila.





